{"id":19,"date":"2023-01-07T15:45:20","date_gmt":"2023-01-07T15:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/scmcantanhede.pt\/?page_id=19"},"modified":"2023-05-29T18:56:08","modified_gmt":"2023-05-29T18:56:08","slug":"breve-historial","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/?page_id=19","title":{"rendered":"Breve Historial"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>HIST\u00d3RIA DA FUNDA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p align=\"justify\">Segundo Costa Goodolphim, autor da obra&nbsp;<em>\u00abAs Miseric\u00f3rdias\u00bb<\/em>&nbsp;(publicada em Lisboa em 1898), a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede foi fundada em 1521. Goodolphim limita-se a indicar a data, sem a mais pequena refer\u00eancia \u00e0 fonte em que colheu tal informa\u00e7\u00e3o: num quadro esquem\u00e1tico subordinado ao t\u00edtulo \u00abSantas Casas de Miseric\u00f3rdia \u2013 Distrito de Coimbra\u00bb, inscreve a Miseric\u00f3rdia de Cantanhede, criada em 1521, possuindo um hospital com o capital nominal de 117.400$000 e a receita de 3.816$00, em 1898.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Fernando Correia, apoiado em Costa Goodolphim, elaborou uma lista das sessenta e uma Miseric\u00f3rdias portuguesas fundadas ainda em vida da Rainha Dona Leonor e coloca a de Cantanhede no ano de 1521. Entretanto, ele confessa que h\u00e1 necessidade de se fazer uma cuidadosa revis\u00e3o hist\u00f3rica nessa rela\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o corresponda inteiramente \u00e0 verdade.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Numa \u00abrepresenta\u00e7\u00e3o\u00bb da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede ao Ministro da Justi\u00e7a, datada de 19-XI-1911, solicitando a manuten\u00e7\u00e3o da autonomia da Santa Casa (em virtude da Lei de 20-IV-1911, que determinou a separa\u00e7\u00e3o do Estado da Igreja), h\u00e1 esta afirma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00ab\u00c9 de data anterior a 1670 a exist\u00eancia desta Santa Casa. Por Provis\u00e3o de 6-V-1674 foi-lhe doada a administra\u00e7\u00e3o dos bens que constitu\u00edam a dota\u00e7\u00e3o da sua capela, cuja constru\u00e7\u00e3o \u00e9 anterior aquela era, segundo a data que se encontra na parte interna do seu arco cruzeiro&#8230;\u00bb.<\/em><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<figure id=\"table22\" class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Este arco cruzeiro deve referir-se a um arco da capela-mor, hoje fazendo parte do pr\u00e9dio ocupado, em parte, por uma empresa de seguros, pr\u00e9dio outrora pertencente \u00e0 Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede e que, durante muitos e longos anos, foi a Igreja da Miseric\u00f3rdia; o pr\u00e9dio foi adquirido em 1901 (escritura de 11 de agosto) pelo Sr. Francisco Pinto de Carvalho. Esse arco cruzeiro tem esculpido um n\u00famero: 1573.<\/td><td>&nbsp;<\/td><td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scmcantanhede.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/igr-miseric_ant2.jpg\" alt=\"\"><strong>\u00a0\u00a0Primitiva Capela da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><strong>O historiador Viriato de S\u00e1 Fragoso confiou a Jos\u00e9 Garrido Mendes da Cruz (quando este elaborava a sua tese de licenciatura \u00abO munic\u00edpio de Cantanhede no s\u00e9culo XIX\u00bb ) a leitura de uma Provis\u00e3o-r\u00e9gia de 1573 que \u00e9 de primordial import\u00e2ncia para a hist\u00f3ria da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede, podendo ser considerada como o seu documento de funda\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>&#8220;Traslado da Provis\u00e3o de El-Rei Nosso senhor para se haver de fazer casa de Miseric\u00f3rdia de Cantanhede:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>Eu El-Rei fa\u00e7o saber aos que este alvar\u00e1 virem que havendo eu respeito a se ora ordenar novamente a confraria da Misericordia na villa de Tentugal, e querendo-a favorecer e ajudar para de cada ves ir em mais crescimento, hei por bem e me apraz que o provedor e escriv\u00e3o e mais officiais da dita confraria da Misericordia que ora s\u00e3o e despois ao diante forem usem os privilegios que s\u00e3o concedidos e outhogados e de que usam os provedores escriv\u00e3es e mais officiais das confrarias da misericordia d\u2019este reino, e isto n\u2019aquelas cousas que se podem applicar \u00e1 dita confraria da misericordia da dita villa de Cantanhede, o que assim me apraz para lhes fazer gra\u00e7a e merc\u00ea e esmola; e mando a todas as justi\u00e7as officiais a que este alvar\u00e1 for mostrado e o conhecimento d&#8217;elle pertencer, que deixem usar dos ditos privilegios ao provedor escriv\u00e3o e mais officiais da dita confraria da misericordia n&#8217;aquellas cousas que se a elle applicar e n&#8217;aquella forma, modo e maneira que d&#8217;ella usam os provedores, escriv\u00e3es e mais officiais das outras confrarias do reino, cumpram e guardem e fa\u00e7am inteiramente cumprir e guardar este alvar\u00e1, como se n&#8217;elle contem e que me praz que valha e tenha for\u00e7a e vigor como se fosse carta feita em meu nome, por mim assignada e passada pela minha chancellaria sem embargo da Ordena\u00e7\u00e3o do 2\u00ba Livro, titulo 2\u00ba que diz que as cousas, cujo effeito houver de durar mais d&#8217;um anno passem por cartas, e passadas por alvar\u00e1s n\u00e3o valham.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00abJo\u00e3o de Seixas o fez em \u00c9vora a 3 dias d&#8217;agosto anno do nascimento de Nosso S. J. C. de 1573.\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Anexo a este Alvar\u00e1 h\u00e1 a seguinte apostila:<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>&#8220;E porque acima digo confraria da misericordia da villa de Tentugal, \u00e9 confraria da misericordia que ora se ordenou na villa de Cantanhede, e com esta declara\u00e7\u00e3o se cumprir\u00e1 o alvar\u00e1 acima escripto como se n&#8217;elle contem.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00abAo provedor, escriv\u00e3o, e mais officiais da dita confraria da misericordia da villa de Cantanhede.\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00abJo\u00e3o de Seixas o fez em Evora a 8 d&#8217;agosto de 1573. &#8211; Rei.\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Esse Alvar\u00e1 (ou Provis\u00e3o) de 3 de agosto de 1573 constitui, pois, a \u00abcertid\u00e3o de nascimento\u00bb da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede, data gravada para a posteridade no arco-cruzeiro da antiga Igreja da Miseric\u00f3rdia: 1573.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Na\u00a0<em>\u00abInforma\u00e7\u00e3o paroquial de 1721\u00bb\u00a0<\/em>(de 22 de maio), existente no Arquivo da Universidade de Coimbra, o P.<sup>e<\/sup>\u00a0Manuel Mendes Ribeiro diz:<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00ab&#8230;no livro das Prouizoins que h\u00e1 na d.a\u00a0 Caza (da Misericordia} esta hua do Ill.mo Sr. Bispo D. M.el de Menezes que deu L\u00e7.a p.a nella se dizer a pr .a Missa aos 19 de mar\u00e7o de setenta esete e outro si esta outra prouiz\u00e3o nomesmo Cartorio que foi dada aouto de agosto de 1573 que no fim della diz Rei e della se colhe ser feita a d.a Caza na d.a era\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Esta informa\u00e7\u00e3o do cura de Cantanhede, P.e Manuel Mendes Ribeiro, corrobora os termos do Alvar\u00e1 de 3 de agosto de 1573, pelo que o arco-cruzeiro da antiga Igreja da Miseric\u00f3rdia, infelizmente oculto por efeito das adapta\u00e7\u00f5es posteriores a que o pr\u00e9dio foi sujeito, \u00e9 o documento que Cantanhede possui a atestar a antiguidade da sua Santa Casa da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">A Miseric\u00f3rdia de Cantanhede n\u00e3o devia possuir, nos primeiros tempos, hospital privativo e mesmo o que teve mais tarde n\u00e3o pode ser considerado como um hospital, na verdadeira ace\u00e7\u00e3o do termo, pois\u00a0<em>\u00abpara socorrer os pobres tinha esmolas e uma casa t\u00e9rrea a que por antonom\u00e1sia chamavam hospital mas a que melhor quadraria o nome de albergaria onde ultimamente albergavam algumas pessoas de conduta nada limpa e de moralidade muito equ\u00edvoca\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">A prova de que n\u00e3o devia possuir hospital, no in\u00edcio, \u00e9-nos dada pela decis\u00e3o da Mesa de solicitar a el-rei D. Afonso VI, em 1674, a administra\u00e7\u00e3o de uma capela e hospital que havia na vila e que estava vaga por morte de Ant\u00f3nio Fernandes Semide, sendo atendida em sua pretens\u00e3o pela \u00abCarta de merc\u00ea\u00bb de 16-V-1674:<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00ab&#8230;Eu Princ\u00edpe (D. Pedro) como Regente destes Reynos de Portugal, e dos AIgarves. Fa\u00e7o saber que avendo respeito ao que por sua Peti\u00e7\u00e3o me Representar\u00e3o o Provedor e mais Irm\u00e3os da Santa Caza da Mizericordia da Villa de Cantanhede, para efeito de lhe fazer Merc\u00ea da Administra\u00e7\u00e3o da Cappella e Hospital que naquella villa vagou por falecimento de Antonio Fernandes Semide&#8230; Hey por bem emepr\u00e1s defazer Merc\u00ea aos Suplicantes da Administra\u00e7\u00e3o da Cappella e Hospital referido para que por sua ordem se Administre com as obriga\u00e7oins que haverem, com declara\u00e7\u00e3o que o Provedor da dita Comarca de Coimbra lhe tomar\u00e1 todos os annos conta dos Recebimentos da dita Cappella e Hospital, e far\u00e1 dizer as Missas de sua obriga\u00e7\u00e3o, as duzentas em cada hum anno equarenta mais para satisfa\u00e7\u00e3o das que falt\u00e3o atrazadas ate se dizerem todas, como nesta mesma Cappella se mandou em Cazo semilhante a este, e o que restar far\u00e1 por em depozito para se poder redificar a Cappella e Hospital, e aver nelle hospitaleira, Lenha, Azeite, e Camas para os pobres&#8230; Antonio Marques ofez em Lisboa a dezasseis de Mayo de mil eseis centos, e setenta equatro annos\u00bb, como consta em \u201cTombo da Miseric\u00f3rdia da Villa de Cantanhede\u201d,\u00a0<\/em>folhas 7 e 8.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Na abalizada opini\u00e3o de Jorge da Cruz Jorge, depois de v\u00e1rias pesquisas na Torre do Tombo e em outros arquivos, o Hospital de Cantanhede fazia primitivamente parte duma institui\u00e7\u00e3o de capela (que ao tempo de D. Jo\u00e3o III era j\u00e1 considerada antiga), tendo-se perdido cedo mem\u00f3ria dos seus instituidores.<\/p>\n\n\n\n<figure id=\"table23\" class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>&nbsp;No citado \u00abLivro do Tombo\u00bb, folha 8, verso, h\u00e1 esta refer\u00eancia:&nbsp;<\/strong><em><strong>\u00ab<\/strong><strong>.<\/strong><strong>.. e as despesas que eles fizerem pela alma do defunto instituidor da dita Capela e Hospital o Prior ou Vig\u00e1rio da Igreja onde ele foi Irm\u00e3o\u00bb<\/strong><\/em><strong>.&nbsp;<\/strong><strong>Isto confirma o que disse o P.e Cura Maldonado, no interrogat\u00f3rio a que em 1758 respondeu para o c\u00e9lebre dicion\u00e1rio do P.e Lu\u00eds Cardoso, que se acha arquivado na Torre do Tombo:<\/strong><\/td><td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scmcantanhede.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/hospital1.jpg\" alt=\"\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Hospital de CantanhedeFoto antiga<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><strong>&nbsp;<\/strong><em>\u00aba capela tem rendas que lhe deixou um clerigo com obriga\u00e7\u00e3o por lhe deixar as ditas fazendas por modo de capela e rendem as fazendas do hospital cada ano cento e vinte e um alqueires de trigo e quarta\u00bb<\/em><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Em 1527 j\u00e1 existia em Cantanhede uma capela e hospital, sujeitos a uma vincula\u00e7\u00e3o de bens, os quais n\u00e3o poderiam ser alienados pelos herdeiros dos primitivos instituidores, e cuja renda tinha de ser aplicada na execu\u00e7\u00e3o de encargos pios, de missas e de outros sufr\u00e1gios, por inten\u00e7\u00e3o da alma de quem os estabeleceu, e ainda para agasalhar os pobres, dando-lhes camas, leite e azeite. Al\u00e9m disso, pertencia \u00e0 Coroa a faculdade de instituir administrador da Capela de Cantanhede.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Indica-se o ano de 1527, porque pela \u00abCarta de merc\u00ea\u00bb de 15 de Maio desse ano, el-rei D. Jo\u00e3o III concedia a Heitor Rodrigues Ribeiro, a pedido deste, a administra\u00e7\u00e3o da Capela e Hospital de Cantanhede, que ent\u00e3o se achava vaga, mas&nbsp;<em><strong>\u00ab\u2026 em sua vida somente, e mais n\u00e3o, e assi dos bens della com os encargos da dita Cappella, e hospital de hua missa cada dia pela alma dos ditos defuntos que os ditos bens dejxaram, e o mais que remanesser compridos os ditos encargos onera o dito suplicante por seu trabalho e trara os bens da dita Cappella bem aprovejtados e adubados, e se alguns forem emlheados os desemlheara pera a dita Capella, e hospital, e os repaire e aproveite assim os que hora sam auidos como os que daqi em deante desemlhear\u2026\u00bb<\/strong><\/em><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Da documenta\u00e7\u00e3o apresentada se infere que em data incerta um \u00abPrior ou Vig\u00e1rio da Igreja onde foi Irm\u00e3o\u00bb instituiu uma capela e hospital em Cantanhede, deixando rendimentos para a sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Heitor Rodrigues Ribeiro renunciou \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da capela e hospital, por instrumento p\u00fablico lavrado em 17-V-1550, nas notas do tabeli\u00e3o Pero Freire, de Lisboa, sucedendo-lhe Ant\u00f3nio Caldeira, natural de Aveiro, por Alvar\u00e1 de D. Sebasti\u00e3o de 20-XII-1558:&nbsp;\u00ab<em>&#8230; em sua vida somente assi e pela manejra que o elle deve se e o foi Heitor Ribeiro seu sogro que a dita administra\u00e7\u00e3o renunciou em minhas m\u00e3os segundo vi per hum publico estromento de renuncia\u00e7am feito e assinado por Perofreire publico taballi\u00e3o denotas nesta cidade de Lisboa aos desassete dias do mez de majo de mil, e quinhentos, e sincoenta com testemunhas nelle nomeadas, e o dito Antonio Caldeira sera obriguado, a mandar dizer na Capella do dito hospital quatro missas em cada semana pelas almas dos defuntos q. seus bens lhe dejxaram e a dar a sua custa para gasalhado dos pobres que se agasalharem no dito hospital camas lenha aseite que for necessario, e assi aprouer o dito hospital de hua molher que sirva de hospitaleira&#8230;<\/em>\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">El-rei D. Filipe I tinha concedido a Ant\u00f3nio Caldeira uma Provis\u00e3o para ele poder nomear na administra\u00e7\u00e3o seu filho mais velho, mas este e a mulher renunciaram, por instrumento p\u00fablico de 12-XI-1593. Por essa Provis\u00e3o (ou Carta) foi Ant\u00f3nio Caldeira autorizado a renunciar \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da capela e hospital de Cantanhede em quem casasse com sua filha Margarida Soares. Esta consorciou-se com Matheus (ou Mathias) Ribeiro (de Gouveia), pelo que por Alvar\u00e1 de 12-1-1594, sancionado por Filipe I, foi concedido a este a referida administra\u00e7\u00e3o, sucedendo, assim, a seu sogro, Ant\u00f3nio Caldeira.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Um documento&nbsp;de 16-I-1624 refere-se, tamb\u00e9m, \u00e0 antiguidade da instala\u00e7\u00e3o da capela e do hospital e ao desconhecimento do nome do seu instituidor:&nbsp;<em>\u00abMostrase o dito hospital, e capela ser antigamente instituida por pesoas de que n\u00e3o ha memoria sobre propriedades que rendi\u00e3o trezentos alqeires de trigo que a mayor parte se gastaua em hum vodo que faziam\u2026\u00bb<\/em><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Por essa \u00e9poca as rendas do hospital eram de 124 a 130 alqueires de trigo e vinte galinhas, anualmente, e as despesas or\u00e7avam em duas centenas de missas para sufr\u00e1gio da alma dos defuntos instituidores, as quais seriam realizadas em qualquer igreja, por&nbsp;<em>\u00abn\u00e3o auer altar, nem ermida, nem Capela particular onde se digam\u00bb. O hospital era ent\u00e3o constitu\u00eddo por duas casas, \u00abmui danificadas, que servem de agasalhar os pobres, as quais confrontavam, do norte, com quintal de Diogo de Faria, do sul, com rua publica, do nascente, com o Rocio e do poente com o quintal de Maria Ribeiro\u00bb<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Em 1674 a administra\u00e7\u00e3o da Capela estava vaga, pelo falecimento de Ant\u00f3nio Fernandes Semide, quando ent\u00e3o o Provedor e os Irm\u00e3os da Miseric\u00f3rdia solicitaram de D. Afonso VI a concess\u00e3o da merc\u00ea de passar a administra\u00e7\u00e3o para a responsabilidade da Irmandade da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LISTA DE ALGUNS PROVEDORES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Nos primeiros tempos, as elei\u00e7\u00f5es da Mesa da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede faziam-se anualmente, como se conclui do&nbsp;<em>\u00abLivro que ha de servir para as elei\u00e7oens da Mizericordia da V.a de Cantanhede\u00bb<\/em>&nbsp;(1774).<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Desde remotas eras, os Senhores de Cantanhede (o 1\u00ba senhor de Cantanhede foi D. Gon\u00e7alo Teles de Meneses; D. Pedro de Meneses, 1\u00ba conde de Cantanhede, 3\u00ba neto de D. Gon\u00e7alo, tamb\u00e9m foi senhor de Cantanhede; e o bisneto do 1\u00ba conde, tamb\u00e9m de nome D. Pedro de Meneses, foi 8\u00ba senhor de Cantanhede, por concess\u00e3o de Filipe III, de 21-IV-1618; D. Ant\u00f3nio Lu\u00eds de Meneses, 3\u00ba conde de Cantanhede e 1\u00ba Marqu\u00eas de Marialva, foi 9\u00ba senhor de Cantanhede; seu filho, D. Pedro Ant\u00f3nio de Meneses, 4\u00ba conde de Cantanhede, tamb\u00e9m foi senhor da vila; D. Joaquina Maria Madalena da Concei\u00e7\u00e3o de Meneses, filha do precedente, 3\u00aa marquesa de Marialva, foi 5\u00aa condessa e 12\u00aa senhora de Cantanhede; D. Pedro Jos\u00e9 de Alc\u00e2ntara Ant\u00f3nio Lu\u00eds Francisco Xavier Melchior de Meneses Noronha Coutinho, 4\u00ba marqu\u00eas de Marialva e 6\u00ba conde de Cantanhede, herdou de sua m\u00e3e o senhorio de Cantanhede; D. Diogo Jos\u00e9 Vito de Meneses Noronha Coutinho, 5\u00ba marqu\u00eas de Marialva e 7\u00ba conde, tamb\u00e9m foi senhor de Cantanhede; finalmente, D. Pedro Jos\u00e9 Joaquim Vito de Meneses Coutinho, 6\u00ba marqu\u00eas de Marialva e 8\u00ba conde, foi o 15\u00ba senhor de Cantanhede) eram provedores-natos da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Em carta de 17-VI-1773 (o algarismo 3 est\u00e1 um pouco ileg\u00edvel), dirigida \u00e0&nbsp;<em>\u00abIrmandade e Santa Casa da Miseric\u00f3rdia dessa minha villa de Cantanhede\u00bb<\/em>, o Marqu\u00eas&nbsp;( 4\u00ba marqu\u00eas de Marialva) , Estribeiro-mor, diz:&nbsp;<em>\u00ab\u2026 a minha intens\u00e3o, foi sempre continuar ater nessa Santa Casa e Irmandade, o Lugar de Provedor Perpetuo, assim como tiver\u00e3o os meus predecessores Senhores Donat\u00e1rios dessa Villa\u2026\u00bb<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">O cargo de provedor pertencia ao donat\u00e1rio, mas as suas fun\u00e7\u00f5es eram exercidas pelo \u00abEscriv\u00e3o\u00bb, dada a aus\u00eancia daquele. De 1775 a 1780, ocupou o cargo de escriv\u00e3o o Dr. Jo\u00e3o Henriques de Castro, substitu\u00eddo, temporariamente, em 1780, por Jos\u00e9 de S\u00e1 Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><em>\u00abA Irmandade de Miseric\u00f3rdia de Cantanhede teve sempre uma administra\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma sob fiscaliza\u00e7\u00e3o dos antigos Provedores da Comarca, e mais tarde sob a fiscaliza\u00e7\u00e3o das Esta\u00e7\u00f5es tutelares que os substitu\u00edram. Os pr\u00f3prios marqueses de Marialvas, condes de Cantanhede, e seus donat\u00e1rios, conquanto fossem reconhecidos como Provedores natos da corpora\u00e7\u00e3o, segundo consta dos bem escassos documentos que existem no arquivo, n\u00e3o influ\u00edram na sua administra\u00e7\u00e3o sempre exercida livremente pela Mesa administrativa eleita anualmente pelos Irm\u00e3os no n\u00famero dos quais entravam as pessoas mais gradas da villa\u00bb<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o do Decreto de 13-VII-1838 (que revogou todas as doa\u00e7\u00f5es de senhorios de terras) deixaram os Senhores de Cantanhede de ser provedores-natos da Miseric\u00f3rdia da vila.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Ainda no Compromisso de 1880 as elei\u00e7\u00f5es eram anuais (Artigo 32\u00ba). Pelo Compromisso de 1896 passaram a bienais (Artigo 13\u00ba) e o Compromisso de 1928 consigna que o per\u00edodo de ger\u00eancia da Mesa \u00e9 de tr\u00eas anos (Artigo 12\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Seria indispens\u00e1vel uma cuidadosa leitura do&nbsp;<em>\u00abLivro que h\u00e1-de servir para as elei\u00e7oens da Mizericordia da V.<sup>a<\/sup>&nbsp;de Cantanhede\u00bb<\/em>&nbsp;para organizar a lista completa dos Provedores.<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><strong>Eis alguns dos provedores da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede, com a indica\u00e7\u00e3o dos per\u00edodos em que a serviram:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;1852-53 &#8211; Padre Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo de Amorim Pessoa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1853-54 &#8211; Jos\u00e9 da Costa Pessoa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1867-68 &#8211; Miguel Sim\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1870-71 &#8211; Carlos Maria de Almeida (escriv\u00e3o, servindo de provedor)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1871-72 &#8211; Miguel Sim\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1872-73 &#8211; Padre Francisco Cruz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1874-75 &#8211; Carlos Maria de Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1875-76 &#8211; Ant\u00f3nio Augusto Ribeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1877-78 e 1878-79 &#8211; Abel Augusto de Campos Vieira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1879-80 e 1880-81 &#8211; Dr. Ant\u00f3nio Maria Duarte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1881 a 1918 &#8211; Dr. Ant\u00f3nio Jos\u00e9 da Silva Poiares<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"https:\/\/scmcantanhede.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Dr.-Antonio-Jose-da-Silva-Poiares.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1371\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>1918-21 &#8211; Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Liberal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1921-24 &#8211; Dr. Lino Augusto Pinto Cardoso de Oliveira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1924-27 &#8211; Dr. Viriato de S\u00e1 Fragoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1927-33 &#8211; Pedro de Carvalho e Vasconcelos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1933 &#8211; Dr. M\u00e1rio Pais de Sousa (n\u00e3o chegou a tomar posse, devido \u00e0 sua perman\u00eancia em Lisboa, em elevados cargos do Governo, assumindo a direc\u00e7\u00e3o o vice-provedor)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1933-36 &#8211; Dr. Manuel Pessoa Torreira da Fonseca<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1936-48 &#8211; Padre Saul da Cruz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure id=\"table24\" class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Ficaria incompleto este relato hist\u00f3rico se n\u00e3o fosse aqui lembrada a grande figura do Arcebispo D. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo de Amorim Pessoa que nomeou a Irmandade da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede como \u00fanica e universal herdeira de, praticamente, todos os seus bens com a obriga\u00e7\u00e3o de lhe fazer o funeral, sufragar a sua alma e fazer um hospital para os pobres. Est\u00e1 sepultado no \u00e1trio da Igreja da Miseric\u00f3rdia, em sarc\u00f3fago metido na parede do lado direito.<\/strong><em>Texto adaptado, excepto a \u00faltima parte, do livro: &#8220;Apontamentos para a Hist\u00f3ria da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede&#8221;&nbsp; de Divaldo Gaspar de Freitas, 1959<\/em>&nbsp;<\/td><td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scmcantanhede.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/D-Joao_Chrysostomo_de_Amorim_Pessoa-1.png\" alt=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scmcantanhede.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/sepultura_bispo.jpg\" alt=\"\"><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HIST\u00d3RIA DA FUNDA\u00c7\u00c3O Segundo Costa Goodolphim, autor da obra&nbsp;\u00abAs Miseric\u00f3rdias\u00bb&nbsp;(publicada em Lisboa em 1898), a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Cantanhede foi fundada em 1521. Goodolphim limita-se a indicar a data, sem a mais pequena refer\u00eancia \u00e0 fonte em que colheu tal informa\u00e7\u00e3o: num quadro esquem\u00e1tico subordinado ao t\u00edtulo \u00abSantas Casas de Miseric\u00f3rdia \u2013 Distrito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_oasis_is_in_workflow":0,"_oasis_original":0,"footnotes":""},"class_list":["post-19","page","type-page","status-publish","hentry"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/19","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/19\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.scmcantanhede.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}